4 SKILLs (.md) para o FP&A/CFO brasileiro — o stack que a Anthropic não desenhou
Semana passada mostrei o primeiro SKILL.md. Hoje, o stack completo — 4 SKILLs que cobrem 100% do calendário oficial de um FP&A sênior brasileiro. SKILL 2 (variância trimestral) com profundidade, mapa dos outros 3.
/context
São 23h12 de uma terça-feira. O Q1 fechou na sexta. Os números estão prontos. A narrativa não.
Você abre o PowerPoint pela quarta vez essa semana. EBITDA do Q1 ficou em R$ 12,4 milhões — 18% abaixo do orçado, 11% abaixo do mesmo trimestre do ano anterior. Você tem os deltas decompostos: -R$ 0,9 mi em mix, -R$ 0,7 mi em custo de trigo, +R$ 0,2 mi em preço médio, -R$ 0,3 mi em volume.
Soma: -R$ 1,7 milhões. Falta R$ 1,1 milhão para fechar o gap total de R$ 2,8 milhões.
O conselho às 8h não vai pedir só os deltas. Vai pedir a história. O que aconteceu, por que aconteceu, e o que muda para o Q2 — em três slides, em linguagem que diretores de marketing e operações entendam e o presidente aceite. Sem o R$ 1,1 milhão explicado, a história não fecha.
Você abre a planilha de variância de novo. Começa, de novo, a procurar a linha que sobra.
Se você reconhece a cena, você não tem um problema de análise.
Você tem metade do stack.
/nofilter
Semana passada, eu mostrei o primeiro SKILL.md do stack — FPA_FORECAST_PREP_SKILL.md. O arquivo que tira o forecast revisado da sua cabeça e coloca em texto que outro analista (humano ou IA) executa com qualidade equivalente à sua (ou melhor).
A pergunta natural depois daquela edição é: ok, e agora?
Agora é hora do stack completo.
O FP&A sênior brasileiro vive em quatro ciclos de cadência decrescente e complexidade crescente:
- Mensal — fechamento + forecast revisado dos 8 meses restantes
- Trimestral — variância vs orçado, narrativa para board, ajuste de pipeline
- Anual — ciclo de orçamento, premissas-mãe, calibragem de metas
- Estratégico — long-range plan, plano quinquenal, alocação de capital
Cada ciclo é um SKILL.md distinto:
| # | Nome | Cadência | Pain principal |
|---|---|---|---|
| 1 | FPA_FORECAST_PREP_SKILL.md |
Mensal | Forecast revisado vira retrabalho todo mês |
| 2 | VARIANCE_ANALYSIS_QTR_SKILL.md |
Trimestral | Narrativa para o conselho consome 70% do tempo |
| 3 | ANNUAL_BUDGET_CYCLE_SKILL.md |
Anual | Ciclo de orçamento consome 6 semanas e ninguém é dono |
| 4 | LRP_STRATEGIC_PLAN_SKILL.md |
3-5 anos | Plano estratégico vira mero exercício pro forma |
Os 4 juntos cobrem 100% do calendário oficial de um FP&A sênior brasileiro. Não há tarefa estruturada que não caia em um desses ciclos.
E não — Anthropic não vai construir para você.
Na semana passada, Anthropic publicou seu repositório de agentes financeiros: anthropics/financial-services. Dez agentes pré-prontos, dezenas de skills. Investidores institucionais celebram. Bancos celebram. Asset managers celebram.
Olhe a lista com calma: Pitch Agent (M&A bancário), Market Researcher (equity research), Earnings Reviewer (sell-side), Valuation Reviewer (LP reporting de fundo), Month-End Closer (NAV de fundo, não fechamento industrial), GL Reconciler (fund admin), KYC Screener (onboarding banking).
Cada um deles serve Wall Street ou à Faria Lima. Nenhum serve sua indústria de massas, sua empresa de bens de consumo, seu varejo, sua mineradora. Anthropic não está construindo para o CFO da economia real brasileira porque não é o mercado deles.
Se você espera que essas empresas resolvam, vai esperar muito tempo. Enquanto isso, o conselho continua amanhã às 8h.
O stack que mostro hoje é escrito por quem opera CFO/FP&A em empresa brasileira, para outros que operam o mesmo. Não é tradução de framework de Wall Street nem da Faria Lima. É código nativo do problema.
Edição de hoje: SKILL 2 com profundidade total. Mapa completo dos 4 ao final.
/howto
Vamos construir o segundo SKILL.md do stack: VARIANCE_ANALYSIS_QTR. O arquivo que tira da sua cabeça o método de decompor variância trimestral e construir a narrativa que o conselho aceita sem pedir mais detalhe.
Você vai precisar de: Claude (qualquer plano pago), 50 minutos, e os números do último fechamento trimestral da sua empresa. Para acompanhar o exemplo, vou disponibilizar o Q1 consolidado da Massas Trentino S.A. — a indústria fictícia da edição passada, agora com os 3 meses fechados e a variância pronta para análise.
Mesma metodologia: 4 passos, tela indicada em cada um.
Passo 1 — Capturar o método tácito de variância (12 min)
Abra o Claude. Cole o prompt abaixo, substituindo os 5 placeholders entre colchetes pelos dados da sua empresa real. Para acompanhar o exemplo desta edição e da edição passada, mantive os dados da Massas Trentino: indústria de massas alimentícias, faturamento R$ 480 milhões, capital fechado, regime Lucro Real.
Você é meu parceiro em um exercício de explicitação de conhecimento. Eu sou gerente sênior de FP&A em [SUA EMPRESA], do setor [SETOR/INDÚSTRIA], porte [FATURAMENTO ANUAL], capital [FECHADO/ABERTO], regime tributário [LUCRO REAL/PRESUMIDO]. Toda virada de trimestre eu preparo a análise de variância para o conselho. Esse processo está na minha cabeça, não está documentado, e quando eu saio de férias o substituto não consegue defender o número no board. Eu quero codificar esse processo em um SKILL.md — um arquivo de instrução operacional que outro analista (humano ou você mesmo) consiga executar com qualidade equivalente à minha, incluindo defender as conclusões no conselho. Antes de gerar o SKILL.md, me faça 8 perguntas para extrair o que está implícito no meu método. Foque em: - Quais inputs eu uso e de onde vêm - Que decomposição padrão eu uso (price, volume, mix, FX, cost, other) e como decido o que vai em cada bucket - Que regras de materialidade eu aplico antes de incluir uma linha na narrativa do board - Como eu construo a "escada" do número técnico até a frase de board - Que armadilhas típicas eu já aprendi a evitar (eventos one-off, reclassificação contábil, mudança de premissa no meio do trimestre) Faça uma pergunta por vez. Não avance até eu responder.
O Claude vai responder com a primeira pergunta. Responda em linguagem natural, como se estivesse explicando para um analista júnior na sua mesa. Não se preocupe com formato.
Tela do Claude depois que você cola o prompt:

Responda as 8 perguntas. Vai levar 8-10 minutos. Você vai notar — de novo — uma coisa estranha no caminho: algumas perguntas vão te forçar a articular regras de bolso que você nunca escreveu. Por que materialidade é R$ 500 mil e não R$ 800 mil? Por que mix vem antes de volume no bridge? Por que reclassificação tributária vai em "other" e não em "tax"?
Isso é o ponto. Variance analysis sênior é feita de centenas dessas micro-decisões, e cada uma delas vive na sua intuição.

Passo 2 — Estressar o SKILL.md (10 min)
O esqueleto inicial sempre é otimista demais. Ele assume que a variância sempre cai limpa em um dos 11 buckets, que reclassificações contábeis se identificam fácil, que one-off são óbvios, que premissas-mãe não mudam no meio do trimestre. A realidade da sua empresa é outra.
Cole o prompt:
Esse SKILL.md está otimista. Vamos estressar. Liste 6 cenários de exceção reais que esse procedimento vai encontrar em fechamentos trimestrais de empresas brasileiras médio-grandes em 2026 e que o esqueleto atual não trata bem. Considere: - Reclassificação contábil mid-trimestre (bonificações, devoluções de receita para despesa ou vice-versa) - One-off não isolado no bridge (sinistro, litígio, restruturação) - Mudança de premissa de câmbio ou Selic durante o trimestre - Reconhecimento de receita com timing diferente do orçamento (IFRS 15) - Convivência PIS/COFINS + IBS/CBS no regime dual de transição - Acerto retroativo de contrato comercial (rebate, condicional cumprida) - Variância de fechamento de unidade fabril com classificação contábil divergente do consolidado Para cada cenário, proponha o ajuste no SKILL.md (qual seção, que texto adicionar) e qual a regra de bolso para identificá-lo antes do fechamento do bridge.
O Claude vai te entregar 6 ajustes. Você vai aceitar uns 4, refinar 2. Mesmo princípio do SKILL 1: você não é usuário, você é editor. O SKILL.md já era seu desde o passo 1; o Claude só está te ajudando a explicitar.
Tela esperada com os 6 cenários propostos:

Passo 3 — Validar com um caso real (15 min)
Pegue o fechamento trimestral mais recente da sua empresa. Cole no Claude junto com o SKILL.md já refinado (esqueleto + 6 cenários do Passo 2 incorporados), e peça que ele aplique o método ao caso real.
Para acompanhar o exemplo desta edição, disponibilizo o Q1/2026 consolidado da Massas Trentino S.A. (continuidade da indústria fictícia da edição passada). Link de download no final do post.
Cole o conteúdo do arquivo no Claude — peça apenas para ele ler, sem responder ainda — e em seguida envie o prompt:
Aplique o SKILL.md acima (esqueleto + 6 cenários incorporados) a este fechamento Q1/2026 e gere: 1. Bridge de EBITDA Q1 completa, com decomposição em todos os buckets relevantes 2. As 3 decisões de classificação que você teve maior dúvida ao executar — as que exigiriam minha confirmação antes de virar narrativa de board 3. Os 2 itens da narrativa que você considera mais fragilizados pelas exceções mapeadas no Passo 2 (reclassificação mid-tri, one-off transversal, premissa macro, IFRS 15, transição tributária, rebate) 4. Onde o SKILL.md ainda está vago — quais seções precisam ser refinadas para que o substituto execute sozinho Não adoce. Se algo do SKILL.md ficou ambíguo na execução, aponte explicitamente.
Aqui mora a verdade do exercício. O output do Claude vai te mostrar exatamente onde o SKILL.md ainda está vago. Você volta, refina, roda de novo. Três iterações resolvem 80% dos buracos.
Tela esperada — bridge + premissas duvidosas + apontamentos do que está vago:


Passo 4 — Operacionalizar e conectar ao SKILL 1 (13 min)
O SKILL.md v0.2 está pronto. Mas SKILL pronto não vale — SKILL pronto que sai do Claude pessoal e entra na rotina vale. Quatro movimentos finais para isso acontecer. Três espelham o que fizemos com SKILL 1; o último é específico do stack.
1. Salve o arquivo. Mesma pasta do SKILL 1: /FPA/skills/. Nome explícito: VARIANCE_ANALYSIS_QTR_SKILL.md. Versão 0.2 (não v1.0 — você ainda vai refinar nas próximas 2-3 iterações). Atualize o CHANGELOG.md com as 8 lacunas que o Passo 3 expôs, classificadas como crítico/médio. Débito técnico é honestidade, não fraqueza.
2. Documente o input padrão. Aqui é onde o SKILL 2 vira diferente do SKILL 1 — alguns inputs não vêm de planilha; vêm de outros SKILLs. Cole o prompt:
Gere o INPUT_TEMPLATE_v1.md para o VARIANCE_ANALYSIS_QTR_SKILL, identificando para cada input: - Fonte (sistema/arquivo/outro SKILL) - Responsável (pessoa ou função) - Cutoff (em que dia útil precisa estar pronto) - Formato esperado Especial atenção aos inputs que vêm de outros SKILLs do stack — eles não são planilha, são output documentado de outro processo. Liste explicitamente quais campos do FPA_FORECAST_PREP_SKILL.md alimentam o VARIANCE_ANALYSIS_QTR_SKILL.md.
3. Sessão de 30 min com um analista pleno do time. Mesma metodologia do SKILL 1: o analista roda o SKILL.md sozinho no fechamento trimestral seguinte, com você assistindo sem intervir. Você só registra onde ele trava. Esses pontos viram a versão 0.3.
4. Mapeie as interfaces FPA_FORECAST_PREP_SKILL_1 ↔ VARIANCE_ANALYSIS_QTR_SKILL_2 — o movimento que torna o stack um stack.
Os dois SKILLs não existem em paralelo. Eles se conectam:
| Output do SKILL 1 | Vira input do SKILL 2 como | Onde aparece no SKILL 2 |
|---|---|---|
| Forecast revisado mensal | Base de comparação secundária do bridge | Reconciliação "surpresa vs deterioração capturada" |
| Premissas-mãe documentadas | Referência para distinguir "premissa errada" de "premissa mudou" | Cenário 3 (efeito macro transversal) e narrativa do conselho |
| Lista de armadilhas conhecidas do mensal | Pré-flight checklist do trimestral | Seção 2 (Pré-flight checklist) |
| Decisões de premissa registradas no fechamento M1, M2, M3 | Trilha de auditoria para defender variâncias no conselho | Defesa de conselho (Seção 7) |
Cole no Claude:
Anexo o FPA_FORECAST_PREP_SKILL.md final (SKILL 1 da pilha) ao contexto desta conversa. Com os dois SKILLs lado a lado, gere o INTERFACES_MAP_SKILL1_SKILL2.md — documento curto (1 página) com: 1. Campos de output do SKILL 1 que viram input do SKILL 2 2. Convenções compartilhadas (definição de EBITDA, tratamento de hedge, classificação de one-off) que precisam estar consistentes entre os dois 3. Pontos onde divergência entre os dois SKILLs criaria erro de board 4. Quem é dono de manter a consistência quando os SKILLs evoluírem independentemente
Esse mapa de interfaces fica salvo em /FPA/skills/INTERFACES_MAP_SKILL1_SKILL2.md. É o que diferencia "tenho 4 SKILLs" de "tenho um stack". SKILL isolado é arquivo; stack é arquitetura.
Tela final do exercício — pasta organizada + mapa de interfaces:

Stack de 2 SKILLs operacional, com mapa de interfaces documentado, governança distribuída (você + Roberta + CFO + analista pleno em sessão de observação). Cada novo SKILL adicionado — SKILL 3 (ciclo anual de orçamento), SKILL 4 (long-range plan) — replica o protocolo: gerar, estressar, validar, operacionalizar, mapear contra os anteriores.
Em 90 dias, você tem os 4 rodando. Em 6 meses, o cargo "gerente sênior de FP&A" significa coisa diferente na sua empresa do que significa hoje.
/update
Três coisas da semana que mudam ou tensionam o mundo do FP&A brasileiro nos próximos 30 dias.
1. Mastercard publica como operacionalizou governança de IA na engine financeira. Em entrevista publicada essa semana, a área financeira da Mastercard detalhou os mecanismos práticos de controle, auditoria e versionamento dos modelos de IA usados no fechamento, na precificação e na detecção de exceções. Não é manifesto, é documentação operacional.
Por que importa: governança de IA virou produto corporativo, não departamento. Em 12 a 24 meses a CVM publica orientação seguindo SEC, e o auditor externo vai cruzar disclosure de IA contra evidência operacional automaticamente. A janela para construir esse controle no ritmo próprio fechou. CFO que ainda trata governança de IA como aspirinha jurídica vai descobrir que era estrutura, não anexo.
2. AICPA lança programa de treinamento de IA para equipes de finanças. A American Institute of CPAs — entidade que define competência da profissão contábil nos EUA — lançou nesta semana programa formal de upskilling em IA, com pilotos já rodando na KPMG, Cisco e Stanley Black & Decker.
Por que importa: profissão contábil acabou de mover o piso. O CFC brasileiro historicamente acompanha AICPA com defasagem de 18 a 36 meses (foi assim com IFRS, com revisão de NBC TG, com competências de auditoria de tecnologia). Em 2027-2028, o contador BR vai precisar de horas formais de educação continuada em IA para manter o CRC ativo. O controller da sua empresa que ainda não começou já está atrasado para a próxima rodada de certificação.
3. Startup europeia profitize levanta €1,4 milhão em seed para automação de FP&A. Mais uma — entre dezenas — captando capital especificamente no nicho de FP&A. Mercado de tools dedicados ao trabalho que historicamente vive em Excel está fervendo.
Por que importa: em 18 meses, o CFO mid-market brasileiro vai ter 15 a 20 vendors batendo à porta com proposta de "automatizar seu FP&A". A decisão estratégica não é "se" comprar, é quanto do método fica em casa e quanto terceiriza para fora. CFO sem stack próprio (do tipo SKILL.md que estamos construindo aqui) vira refém da arquitetura de quem vende a ferramenta. Stack próprio é alavancagem de negociação, não só de execução.
/briefing
AlphaSense — CFO dedica 10 horas por semana a skills de IA: cfodive.com. Samantha Greenberg, CFO da AlphaSense, declarou tempo formal de bloco semanal para se manter "right on top" de como rodar finanças AI-native. 10 horas = ~25% da agenda executiva.
Harvard CGR — AI Corporate Governance and Ben & Jerry's Risk: corpgov.law.harvard.edu. Paper acadêmico que analisa conflitos estruturais nos arranjos de governança das principais empresas de IA (OpenAI, Anthropic). Não é direcionado a CFO — mas é exatamente o tipo de leitura que o conselho consultivo da sua empresa vai pedir que você resuma quando questionar a IA que você está usando.
Por que importa: os dois itens apontam para a mesma direção pelo ângulo oposto. AlphaSense mostra o que o CFO no topo da curva já está fazendo (bloqueio de agenda formal). Harvard mostra o que o conselho vai começar a perguntar (você entende a governança das empresas cuja IA você usa?). O CFO que pega os dois pontos consegue chegar à pergunta de board com a resposta pronta.
/thinkdeeper
Há duas formas de operar a função de FP&A sênior. Uma escala. A outra não.
Na forma que não escala, o conhecimento mora na cabeça do titular. Toda virada de mês recomeça do zero. Toda virada de trimestre rebobina o método. Cada substituto durante férias entrega análise mais frágil. Cada conselheiro novo recebe interpretação inconsistente. A função funciona porque a pessoa está lá. A pessoa funciona porque renuncia ferramentas que escalam o conhecimento — documentação, sistemas, protocolos — em nome de continuar indispensável.
Na forma que escala, o conhecimento vive em arquivos. Cada arquivo executa. Cada execução é auditável. Cada substituto entrega análise tecnicamente comparável. Cada conselheiro recebe interpretação consistente entre trimestres. A função funciona porque o sistema está lá. O sistema funciona porque a pessoa documentou.
Você acabou de construir os primeiros dois arquivos do sistema. Em 6 semanas, vai construir os outros dois. Em 90 dias, o stack inteiro está operando. Em 6 meses, o cargo significa coisa diferente.
Há uma honestidade nesse trabalho que vale nomear. Quando você pede ao Claude para "salvar no Drive", ele faz uma renderização visual do estado final — não o upload real. Quando você pede para "configurar permissões", ele descreve o que aconteceria, não executa. Essa fronteira entre simulação e execução é o que diferencia parceiro digital de ferramenta vendida como mágica. Você é o agente operacional. O Claude é o agente de documentação e raciocínio. A pilha funciona porque essa distribuição está clara.
Wall Street e Faria Lima vão construir o stack deles. Anthropic vai construir agentes prontos para fundos de pensão e gestoras. Ninguém vai construir o stack para o CFO da economia real brasileira — capital fechado, conselho consultivo familiar, reforma tributária em transição, covenant de debênture apertando. Esse trabalho cabe a quem opera. A boa notícia: o método existe, é replicável, e custa 50 minutos por SKILL.
SKILL 3 (ciclo anual de orçamento) e SKILL 4 (long-range plan) vêm nas próximas edições. Quem construiu os dois primeiros já tem a maior parte da arquitetura mental no lugar.
Para CFOs que querem decidir com clareza onde construir stack próprio e onde aceitar ferramenta de mercado — eu trabalho em consultoria de governança de IA aplicada a finanças e em programas de implementação por sprints; responda este email se a conversa fizer sentido: scotti@strategia-serv.com
Quinta volto com a primeira leitura do SKILL 3.
